O astrágalo (Astragalus membranaceus), planta medicinal utilizada há milênios na medicina tradicional chinesa, é conhecido por suas propriedades tônicas e imunoestimulantes. No contexto do diabetes, doença crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, o astrágalo tem despertado crescente interesse por seus potenciais efeitos protetores sobre os órgãos, particularmente os rins. O diabetes, especialmente o tipo 2, é uma das principais causas de nefropatia diabética (ND), uma complicação renal que pode levar à insuficiência renal terminal. Este artigo explora as evidências científicas sobre o papel do astrágalo na proteção renal em pacientes diabéticos, com base em estudos pré-clínicos e clínicos. Examinaremos os mecanismos envolvidos, os benefícios observados e as precauções para seu uso.O que é astrágalo?
O astrágalo é uma planta herbácea nativa da Ásia, cuja raiz é utilizada principalmente na fitoterapia. Contém compostos ativos como polissacarídeos (APS), saponinas (como o astragalosídeo IV) e flavonoides, que conferem à planta propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e imunomoduladoras. Na medicina tradicional, é prescrito para fortalecer o “Qi” (energia vital) e tratar condições relacionadas à deficiência imunológica ou doenças crônicas como o diabetes. Pesquisas modernas começaram a validar esses usos, concentrando-se em seus efeitos hipoglicêmicos e de proteção dos órgãos.
No diabetes, a hiperglicemia crônica danifica os vasos sanguíneos e os tecidos, promovendo complicações como a síndrome nefrótica (SN). A SN é caracterizada por albuminúria (presença de proteína na urina), níveis elevados de creatinina sérica (CrS) e ureia no sangue (BUN), bem como deterioração progressiva da função renal. O astrágalo pode desempenhar um papel na mitigação desse dano por meio de diversas vias metabólicas.
Efeitos Gerais do Astrágalo no Diabetes
Antes de discutir a proteção renal, vale ressaltar que o astrágalo tem efeitos benéficos no controle glicêmico. Estudos mostram que ele pode reduzir a glicemia de jejum e melhorar a tolerância à glicose. Por exemplo, os polissacarídeos do astrágalo (APS) atuam aumentando a sensibilidade à insulina e modulando as vias de sinalização envolvidas no metabolismo de carboidratos. Isso estabelece as bases para a redução das complicações diabéticas, incluindo as renais, visto que um melhor controle da glicemia é essencial para prevenir a progressão da nefropatia diabética (ND).
- Mecanismos de proteção renal do astrágalo no diabetes Pesquisas pré-clínicas, principalmente em modelos animais de diabetes (ratos ou camundongos induzidos por estreptozotocina ou dieta rica em gordura), demonstram que o astrágalo protege os rins por meio de diversos mecanismos:
- Redução do estresse oxidativo e da inflamação: O diabetes induz um excesso de radicais livres que danificam as células renais. O astrágalo, rico em antioxidantes, aumenta a expressão de enzimas como a superóxido dismutase (SOD) e diminui marcadores inflamatórios como TNF-α e IL-6.
- Inibição da fibrose renal A neurodistrofia (ND) envolve o acúmulo de matriz extracelular, levando à fibrose. O astrágalo diminui a expressão de fatores pró-fibróticos, como TGF-β1, CTGF e colágeno IV, enquanto aumenta marcadores antifibróticos, como BMP-7.
- Promoção da autofagia e proteção dos podócitos: Os podócitos, células-chave do glomérulo renal, são danificados na ND, levando à proteinúria. O astrágalo ativa diversas vias que promovem a autofagia e reduzem a hipertrofia glomerular.
Melhora da função renal geral: Em modelos de ND, o astrágalo reduz a excreção urinária de albumina, melhora a depuração de creatinina (CCr) e atenua alterações histológicas, como a hipertrofia glomerular.
Esses mecanismos são corroborados por meta-análises que sintetizam dados de múltiplos estudos em animais, demonstrando efeitos consistentes sobre os marcadores renais. Evidências Clínicas
Embora os estudos em animais sejam promissores, os dados clínicos são mais limitados, porém encorajadores. Meta-análises de ensaios clínicos demonstraram que a injeção ou ingestão de astrágalo melhora a função renal em pacientes com doença renal crônica, reduzindo os níveis de ureia, creatinina sérica e proteína na urina, e aumentando a creatinina sérica.
Um ensaio clínico randomizado recente em pacientes com diabetes tipo 2 e doença renal crônica constatou que a adição de astrágalo ao tratamento padrão retardou o declínio da taxa de filtração glomerular (TFG). Além disso, combinações com outras ervas também melhoraram a função renal em pacientes diabéticos. Esses resultados sugerem que o astrágalo pode ser um adjuvante útil aos tratamentos convencionais, como inibidores da ECA ou bloqueadores dos receptores da angiotensina II.
No entanto, os ensaios clínicos são frequentemente de pequena escala e conduzidos na China, o que destaca a necessidade de mais pesquisas internacionais para confirmar esses efeitos.
Precauções e Efeitos Colaterais
Embora geralmente bem tolerado, o astrágalo pode interagir com medicamentos imunossupressores ou antidiabéticos, potencialmente aumentando seus efeitos. Efeitos colaterais raros incluem distúrbios gastrointestinais ou reações alérgicas. É contraindicado em mulheres grávidas ou lactantes sem orientação médica. Sempre consulte um profissional de saúde antes de incorporar o astrágalo a um regime terapêutico, especialmente em casos de diabetes avançado ou nefropatia diabética (ND).
- ConclusãoO astrágalo, por meio de seus compostos ativos, como os APS (polissacarídeos alfa-supressores), oferece proteção renal promissora no diabetes, mitigando o estresse oxidativo, a inflamação e a fibrose, e promovendo a autofagia. Estudos pré-clínicos e clínicos apoiam seu papel na redução de marcadores de disfunção renal e na desaceleração da progressão da ND. Embora sejam necessárias mais pesquisas para estabelecer protocolos padronizados, o astrágalo representa uma opção complementar natural para o controle do diabetes e suas complicações renais. Ao adotar uma abordagem integrativa, combinando fitoterapia e medicina convencional, os pacientes podem se beneficiar de uma melhor qualidade de vida.
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